sexta-feira, 24 de julho de 2009

O Limite entre a Sanidade e a Loucura

“O bom senso é a coisa do mundo melhor partilhada, pois cada qual pensa estar tão bem provido dele, que mesmo os que são mais difíceis de contentar em qualquer outra coisa não costumam desejar tê-lo mais do que o têm. E não é verossímil que todos se enganem a tal respeito; mas isso antes testemunha que o poder de bem julgar e distinguir o verdadeiro do falso, que é propriamente o que se denomina o bom senso ou a razão, é naturalmente igual em todos os homens; a diversidade de nossas opiniões não provém do fato de serem uns mais racionais do que outros, mas somente de conduzirmos nossos pensamentos por vias diversas e não considerarmos as mesmas coisas. Pois não é suficiente ter o espírito bom, o principal é aplicá-lo bem.”

(René Descartes)

Seria sanidade e loucura dois conceitos relativos ? Alguém seria "são" ou "louco" conforme a subjetividade ou objetividade do olhar de quem julga?

Não é uma pergunta tão simples de se responder. Para entender o que é a loucura é necessário entender primeiro como ser humano compreende a realidade. Para alguns a realidade é tudo aquilo que podemos sentir através de nossos cinco sentidos, o que para mim não faz tanto sentido já que esses sentidos podem ser facilmente dopados, confundidos ou o ser humano pode já estar desprovido de algum deles.
Uma famosa frase também do filósofo René Descartes: “Penso, logo existo” é muito mais apropriada afinal existe melhor método de interagir com o mundo do que com a consciência? Entretanto, vale lembrar que até mesmo a mente pode ser afetada por distúrbios como a bipolaridade ou a esquizofrenia. Logo, afinal como definir a realidade e o que é ou não a falta de compreensão da mesma?

No dicionário você encontrará que a definição de loucura é alienação mental. E na psicologia são condições da mente caracterizadas por pensamentos considerados anormais pela sociedade. Pode se concluir então que a loucura pode não estar definida pelas condições mentais de uma pessoa, mas pelas diferentes maneiras de ser julgada pela sociedade. Logo, já que vivemos em uma sociedade capitalista pode se concluir que a insanidade mental é a incapacidade de viver em função do dinheiro e de obedecer as regras da sociedade civil?

Pode se concluir então que a sanidade e a loucura são conceitos relativos, o senso comum define sanidade como o comportamento idêntico ao da maioria. Analisando por este lado, não sei se haveria algum limite entre sanidade e loucura. Se sanidade é isto, então para mim não existe sanidade. O limite deve ser, então, a mente (subjetividade) humana.

A linha é muito tênue. Sanidade e loucura parecem ser conceitos antagônicos, mas na sua essência são até complementares. Ninguém é louco o tempo todo e a sanidade não aparece "ad infinito". Temos momentos em nossa loucura que são atos extremos de sanidade e em nossa sanidade, podemos agir como loucos. Disse o Coringa que “A loucura é como a gravidade, tudo o que você precisa é de um empurrãozinho” essa frase na minha opinião é brilhante. Como se a insanidade fosse algo que já existe latente em todos nós em alguns mais desperta em outros mais retraída. Assim como concluiu o fictício Doutor Simão Bacamarte no conto de Machado de Assis que é o meu favorito, O Alienista.

Faria sentido então tentar estudar psiquiatria ou psicologia para ajudar os insanos? Ou será que vale mais a pena para estes viver em seu universo paralelo, afastados de todo o horror da realidade. Até mesmo no Corão, Maomé declara que os loucos são veneráveis, e que Alá tirou o juízo destes para que não pequem. A dúvida continua.

Para finalizar. Este texto que li em um blog que visitei recentemente e que também discute assuntos relacionados à psicologia. O texto me inspirou a escrever esta postagem. A autora do blog tem o desejo de seguir uma carreira nessa área.

Uma vez, um alguém muito sábio me contou uma história de um velho morador de rua que era louco. Ele pensava que era o rei, e a rua e o bairro eram o seu reino, e andava com um graveto ordenando tarefas a seus servos imaginários e tendo luxos e poderes imaginários. Os moradores daquele bairro, comovidos com a 'pobre' situação do velhinho, decidiram que deviam tentar lhe curar, mostrando o que era e o que não era real, e assim começaram sua árdua tarefa de deixá-lo são novamente. Logo no início, nada. Ele, relutante em suas alucinações, os insultava e ia para seu imponente castelo, verdadeiramente feito de papelão, sua fortaleza particular.
Após muita insistência, finalmente o velhinho conseguiram seu objetivo. Ele caiu em si, e curou-se de sua loucura. Uma semana depois, aquele senhor se suicidou sobre sua fortaleza destruída pela sanidade.

Créditos mais do que merecidos:


Acho que cada um segue um conceito de sanidade e loucura diferente, aos olhos da sociedade loucos são aqueles que não seguem as condutas impostas por velhos chatos. então, cada um que se veste diferente, ouve musica diferente, fala diferente, se porta diferente é louco ?
Acho que o termo insanidade mental foi criado para impedir que as pessoas que pensam diferente sejam bem interpretadas!
Cada um vive o que quer viver, ninguem fica louco do nada e sem motivo! A insanidade vem de anos de sofrimento fisico e psicológico, que acabam destruindo a capacidade do ser humando de indentificar o que é real, e o que ele gostaria que fosse real!

Augusto Maciel

http://tinhomaciel.blogspot.com/

Créditos tambem a:
http://catalepsiaprodutiva.blogspot.com/

3 comentários:

  1. os credito ssão muito bem merecidos mesmo o texto é muito bom

    http://mentalidadezero3.blogspot.com

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  2. Apoiadíssimo!!!!!!!!!!

    http://padaquipadai.blogspot.com/

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